O barulho dos pingos na janela denunciam que a noite foi chuvosa. Abro
os olhos, ainda pesados depois de uma noite profunda de sono. Seu braço
cai pesado sobre os meus, ainda está dormindo. Me viro para ficar de
frente a você, lentamente para não te acordar. Seu rosto está calmo,
como se nada no mundo pudesse te atingir. Passo as pontas dos meus dedos
bem devagar, seguindo os traços das têmporas até o queixo. Você dá
aquele sorriso torto e abre os olhos, duas balinhas de caramelo me
encarando.
D ias de chuva são convidativos para mim. Não sei se é por causa das gotas que caem freneticamente do céu compondo uma música, do rebuliço do vento nas árvores ou do cheiro da terra ao acolher a água para si. Só sei que ela me chama. Me acalma . Ao ouvi-la, meu coração cessa o seu latejar tão intenso e rápido. Ela me leva ao mais profundo mar de pensamentos felizes e ternos. Transforma qualquer dia agitado em algo mais silêncioso, quieto. Torna os beijos mais molhados e apaixonados. Faz com que um dia quente vire diversão para crianças. Um banho de chuva limpa a alma, a mente, o corpo. Trás consigo a inocência, a pureza. Dias de chuva, dias comuns, singelos.